terça-feira, 27 de novembro de 2012
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Para você
"Eu sempre achei incrivelmente difícil falar sobre amor. Até porque acreditava que ele era demonstrado através de ações e você era a pessoa com o dom de falar a palavra certa quando eu já não sabia o que estava fazendo.
Deve ser por isso que nunca te disse nada, só te olhava.
Mas não se engane. Eu te amei e te amo muito.
Nunca vou esquecer a primeira vez que te vi; toda feliz e com os olhos brilhando porque tinha achado um livro na estante de uma livraria. O coitado teve sorte: estava lá, jogado e empoeirado; perdido num mar de 50 tons de cinza.
Olhei curioso, tentando ao máximo fingir interesse em um livro do Manoel Bandeira mas não consegui. Era mais forte do que eu.
Sua amiga chegou e perguntou você levaria um livro que estava quase caindo aos pedaços e que ninguém queria mais. Você, sem perder seu riso característico, disse: "Mas esse é o meu maior motivo de amá-lo. Ele só não encontrou a pessoa certa para levá-lo pra casa."
Depois disso, só rezei para te ver de novo.
Você é daquelas pessoas que mata com gentileza - o que me surpreendeu mais ainda, nesse mundo onde ficar em estado de alerta e não sentir nada viraram itens essenciais para sobreviver - e ama tudo o que a maioria detesta. E as defende com tanta paixão que nos sentimos compelidos a amá-los também, só para dividirmos com você essa empolgação.
Mesmo sabendo que essa carta jamais será lida por você, saiba que você me trouxe de volta a vida quando decidiu me amar e me fez querer ser uma pessoa melhor. Você viu potencial onde todo mundo só enxergava erros e eu só posso ser grato por isso.
E mesmo sabendo que jamais sentirei o seu cheiro no meu travesseiro ou ouvir você abrindo a porta de casa (reclamando do trânsito e falando que vai abandonar tudo isso para morar no interior; o que nós dois sabíamos que não era verdade), toda vez que eu der risada por algo bobo ou ouvir sua música favorita, saberei que você está bem alí do meu lado."
Deve ser por isso que nunca te disse nada, só te olhava.
Mas não se engane. Eu te amei e te amo muito.
Nunca vou esquecer a primeira vez que te vi; toda feliz e com os olhos brilhando porque tinha achado um livro na estante de uma livraria. O coitado teve sorte: estava lá, jogado e empoeirado; perdido num mar de 50 tons de cinza.
Olhei curioso, tentando ao máximo fingir interesse em um livro do Manoel Bandeira mas não consegui. Era mais forte do que eu.
Sua amiga chegou e perguntou você levaria um livro que estava quase caindo aos pedaços e que ninguém queria mais. Você, sem perder seu riso característico, disse: "Mas esse é o meu maior motivo de amá-lo. Ele só não encontrou a pessoa certa para levá-lo pra casa."
Depois disso, só rezei para te ver de novo.
Você é daquelas pessoas que mata com gentileza - o que me surpreendeu mais ainda, nesse mundo onde ficar em estado de alerta e não sentir nada viraram itens essenciais para sobreviver - e ama tudo o que a maioria detesta. E as defende com tanta paixão que nos sentimos compelidos a amá-los também, só para dividirmos com você essa empolgação.
Mesmo sabendo que essa carta jamais será lida por você, saiba que você me trouxe de volta a vida quando decidiu me amar e me fez querer ser uma pessoa melhor. Você viu potencial onde todo mundo só enxergava erros e eu só posso ser grato por isso.
E mesmo sabendo que jamais sentirei o seu cheiro no meu travesseiro ou ouvir você abrindo a porta de casa (reclamando do trânsito e falando que vai abandonar tudo isso para morar no interior; o que nós dois sabíamos que não era verdade), toda vez que eu der risada por algo bobo ou ouvir sua música favorita, saberei que você está bem alí do meu lado."
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Escutatória
"Sempre
vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de
escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a
ouvir. Pensei em oferecer um curso de
escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é
complicado e sutil. Diz Alberto Caeiro que "não é bastante não ser cego
para ver as arvores e as flores. É preciso também não ter filosofia
nenhuma". Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como
são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.
Parafraseio o Alberto Caeiro: "Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma". Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.
Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...
Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, abrindo vazios de silêncio, expulsando todas as idéias estranhas.). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais. São estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se eu falar logo a seguir, são duas as possibilidades.
Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado".
Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou". Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou".
E assim vai a reunião. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir! Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Mas, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar. Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto."
(Rubem Alves)
Parafraseio o Alberto Caeiro: "Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma". Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.
Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...
Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, abrindo vazios de silêncio, expulsando todas as idéias estranhas.). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais. São estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se eu falar logo a seguir, são duas as possibilidades.
Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado".
Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou". Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou".
E assim vai a reunião. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir! Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Mas, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar. Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto."
(Rubem Alves)
Lana Del Rey, sua linda!
Não basta essa mulher lançar um dos cds mais incríveis que eu já escutei ("Born to Die"). Ela ainda vem e aparece com o "THE PARADISE EDITION" (que será lançado no dia 12 de novembro). Ele é composto por faixas inéditas que não entraram no álbum anterior.
Para divulgá-lo, ela soltou um vídeo com várias previews das músicas no Youtube (com imagens dela toda linda e diva - incluindo algumas cenas que parecem ser os "extras" que não entraram no clipe Summertime Sadness)
E como não amar uma música que tem o seguinte verso: "My pussy tastes like Pepsi Cola"? ♥
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